1º Mostra Virtual
Exposição Individual
"Identidade Nômade"

Claudia Colares

Pintora brasileira. Desenhista autodidata. No final da década de 80, abandonou a faculdade de engenharia civil e a partir desse episódio deu início ao seu percurso nas artes plásticas.

Claudia Colares é a filha do meio dos sete filhos de Antônio Paulino e Lúcia Colares. A casa cheia a fez sempre procurar, desde criança, os silêncios possíveis para desenhar e folhear livros em busca de referências artísticas. A mãe nunca deixou faltar papel, lápis e livros. Isso garantiu a ela, uma relação contínua e determinante para a formação autodidata e para existência da trajetória artística. De meu pai herdei a musicalidade e a independência de achar que posso aprender tudo o que devo saber, e da mãe a resiliência, objetividade e a atenção às oportunidades.

O desenvolvimento de técnicas só foi possível a partir do ensino privado em colégios religiosos onde foi apresentada a uma nova relação de importância com materiais utilizados para o desenho e a pintura. No período escolar, ela dedicou-se à música, ao teatro e ao desenho. Claudia sempre enxergou nessas três áreas ferramentas essenciais para a formação de sua expressão artística.

A dedicação exclusiva às artes plásticas deu-se a partir do encontro com Batista Sena (Camocim-CE, 1952 – Fortaleza – CE, 2014). Sob a direção desse grande Mestre, redimensionou-se a visão sobre arte e a cultura e impulsionou-se a produção em pintura, o pensamento crítico e a postura artística profissional. Dentre os inúmeros trabalhos produzidos por Claudia no final da década de 80 e início da década de 90, Batista elegeu dois para inscrever no VI Salão de Artes de Camocim. O resultado foi outro grande marco para a pintura de Claudia Colares. Conquistou a crítica e o primeiro lugar no salão com o “Prêmio Liberdade”. Com o incentivo artístico e financeiro, a pintora mudou-se de vez para Camocim e assim, garantiu a periodicidade da produção. Abandonou o curso de engenharia e pode dedicar-se ao desenvolvimento da técnica da pintura na terra de Raimundo Cela e sob os olhos de Batista Sena. Enquanto trabalhava em seu pequeno atelier na bucólica cidade de Camocim, pintou as paisagens possíveis e criou personagens para o desenvolvimento da poética de sua pintura. Com um ano produzindo de forma intensiva, Colares garantiu para si uma maior intimidade com os materiais. Desse período nasceu a paixão pela tinta à óleo. “com a pintura aprendi coisas maravilhosas sobre a existência e  sobre o quanto é necessário experimentar e ver luzes diferentes.” C.Colares (1990).

Em 1991, de volta a Fortaleza, estudou fotografia com Celso Oliveira e produção cultural com Glaucia Costa. Em 1993 mudou-se para Guarapari – ES. Em seu novo atelier instalado, produz exposições e dedica-se ao estudo do canto lírico e à teoria musical. Sempre de forma independente, produziu e apresentou suas obras para colecionadores locais a fim de garantir financeiramente a continuidade da produção. “com a  pintura aprendi a fazer tinta e pão.” C.Colares (1994). Em 2006, fez suas primeiras exposições internacionais em França e Espanha e em 2010, a convite da Prefeitura de Copenhagen realizou uma exposição e ministrou palestras na Dinamarca . Quando voltou ao Brasil, fechou seu atelier e ingressou no curso de Bacharelado em Artes Plásticas na Universidade Federal do Espírito Santo. Entre 2010 a 2014 estudou: desenho, cerâmica, escultura, gravura, história da arte, artes da performance, arte contemporânea e, sob a orientação do professor doutor Lincoln Guimarães Dias, dedicou-se integralmente ao projeto em pintura e aos estudos da pintura abstrata que conferiu sua graduação com nota máxima.

As reflexões estéticas e teóricas sobre o processo criativo da produção artística em pintura no período acadêmico junto ao ingresso de sua filha Maria na Universidade de São Paulo, a impulsionaram em 2016 a resgatar sua “identidade nômade” e montar um atelier na capital paulista. Com o apoio dos grandes amigos e colecionadores, Pedro Mastrobuono e Roberta Matarazzo, seu  trabalho foi rapidamente difundido entre críticos, colecionadores e amantes das artes da  cidade. Nesse período, o atelier deu estrutura a nova pintura de Claudia Colares que conquistou a abstração como a maior forma de expressão.

 “Costumo comemorar várias coisas. Muitas dessas coisas são visões prismadas e por isso não espero que mais alguém enxergue como motivo para festa. Hoje, comemoro o conforto e a sensação de prazer de finalmente deliciar-me com a conquista da planicidade da cor sobre a tela.

Hoje, somente hoje, depois de uma caminhada afoita e determinada que consumiu cinco anos de uma possível juventude! Percebendo e duelando com os traços contornais gritantes que surgiam à minha frente. Volumes escultóricos implorando para serem gerados. A tão sonhada biplanicidade indo pro espaço a cada fraquejada fazendo-me quase desenhar com a luz. Ai meus pés! ai minhas cores atonais. Não os sinto. Mas como a carne é dura e vencer é uma possibilidade, eis aqui: Cor sobre cor. Cinza cromático agindo como um verdadeiro amigo. Apoiando sem interferir. A pincelada, hoje, somente hoje; dançante me sorri. Viva São Greenberg ! Não pensar; apenas me divertir com desdobramentos estéticos que surgem saltitantes a cada cor! Aaaah! a sensação desse hoje é de que valeu a pena.

Ao meu “passível e infalível” orientador, Lincoln Guimarães Dias, uma flor de cada cor construída em paleta heterogênea que vai de um colbaltoprussianoceleste ao laranjonápolis angelical.

Gratia Plena por este dia!” C.Colares (2017)

Depois de um curso de Introdução a Arte Moderna com o professor Agnaldo Faria oferecido pela UNIBES Cultural, e o convívio com a produção dos artistas que conheceu na cidade, retomou o figurativo de forma expressionista e construiu sobre suas telas – cada vez de  maiores dimensões – o que ela declara ser “ uma história íntima com a cor”. “O tempo levou  o preto e o branco de minha paleta, porém, trouxe escalas construídas como se constroem

os acordes que amo. Tons que se unem para exibir o resultado que brilha debaixo da luz.

As cores não existem mais. A cor é a pintura, a sinapse que une o pensamento ao gesto. A cor é a certeza que a vida é o que termina.“ C.Colares (2018)

Atualmente, depois de um curso de desenho com o norte americano Glenn Vilppu, Colares está desenvolvendo o projeto #IdentidadeNômade em Portugal onde reside e atua. O projeto envolve escultura, pintura, desenho e produção teórica sobre cada obra.

 

nos visite