''Vestido Amarelo''

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O que a menina pensa a meu respeito
se me vê assim, tão desconsolada?
O que vai dizer dos meus olhos fundos
quando me mostrar o brilho do seu rosto
e as luzes negras do seu mirar me avaliarem?
Qual a lição que me trazes, garotinha,
o que a vida me escondeu?
Você e a tua inocente caminhada,
talvez saiba muito mais da minha estrada,
talvez tenha as respostas que perdi.
Olho e te busco no espelho,
rezo e me confundo, de joelhos
abraço uma cruz que não é minha
apenas para me sentir parte da jornada
Não te afaste menina, não me percas
mantenha o teu olhar atento e claro
a orientar o meu caminho outonal.
Quero o brilho que rodearam tuas perguntas
quero a paz da tua alegria quando corres
em caminhos que ficaram para trás.
Te encontro e te afasto a cada dia,
lamento se em alguns dos teus sonhos, fracassei.
Porém sei que às vezes me espias, encantada
com teu vestido amarelo e as pernas finas,
admiras fragmentos do que sou
e sorris com a vida que te dei.
Autora: Izabel da Rosa
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''Nem Véu Nem Casulo''

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Olho e não vejo
o que teu olhar percebe
em um lampejo.
Aceito e aconchego
o que almeja
me mostrar o teu desejo.
Há um segredo
que se revela ao traço
— minimalista —
que encontra
nas texturas,
nos contornos,
nos relevos,
a beleza no detalhe
que despista
os olhos distraídos
e a sensibilidade
entorpecida pelo todo.
A forma acorda.
Sem medo,
expõe a face,
como se falasse
com seres de
outra classe
em um idioma
que é feito de disfarce.
Voz que só ouve
o iluminado pela fé
de que — oculta nas cores —
a essência persiste
e não resiste
ao encanto do toque de artista.
Versejo em tua pupila
e me encontro
na tua fome
de se encantar
com o que ainda não existe.
Autora:
Izabel da Rosa

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''Mãe Você Me Ouve)''

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(parte do livro baseado em histórias reais – “A moça do outro lado do mar” que está em

revisão pela autora Izabel da Rosa )

Nyora senta-se diante do mar. Está sozinha. A cor do dia traz uma luz em tons rosados
para seus olhos fechados. Está cansada de buscar. Está cansada de esperar. Está cansada de ter
esperanças e de vê-las se no esfarelarem em pistas falsas. A sua mãe parecia estar perto,
parecia chamá-la e agora se esconde novamente naquele país imenso, onde as pessoas se
fecham em carros de janelas escuras, onde crianças ficam por anos em orfanatos, onde algumas
são roubadas e vendidas ao exterior, onde ninguém a ajuda.
Passa a mão nos cabelos. Está sendo injusta. Sim, Lisa tentou ajudá-la. Procurou pessoas,
pagou exames, até viajou por horas. Lisa parecia tão segura, tão confiante. Ela acreditou. Mais
uma vez acreditou e a frustração veio. Porém está sendo difícil perdoá-la por criar tantas
expectativas que depois resultaram em nada. Isso mesmo. Nada. Nenhuma correspondência de
DNA com a pessoa que ela julgava ser parente próxima. Decepção maior só havia acontecido
quando viajou ao Brasil e não conseguiu nenhuma informação.
Balança a cabeça. Como foi ingênua ao apostar que estavam perto! Ajeita-se na cadeira.
Escuta o ruído do mar. Pelos documentos que possui, nasceu em um porto no sul do Brasil.
Talvez sua mãe continue morando na mesma cidade e neste momento escute o mar como ela.
Solta um gemido. “Onde está você minha mãe?” Geme mais uma vez. Gostaria que ela a
escutasse, soubesse da dor que é não saber da sua origem. Apalpa a barriga. Os olhos da onça
tatuada no tronco a olham com curiosidade, como se quisessem entendê-la. Como se fossem
os olhos ansiosos da mãe que não sabe da filha.
Nyora já tem dois filhos e sabe o que é ter um filho movendo-se dentro de si. Então se
imagina dentro da barriga da mãe, sentido o calor dela, usufruindo do mesmo oxigênio,
escutando as mesmas ondas. Talvez a mão apalpasse a barriga, sentisse os movimentos da
criança completa. Naquele momento a mãe a amava, queria saber como seria seu rosto, a cor
dos seus cabelos. Talvez estivesse triste e cantasse uma daquelas canções brasileiras que hoje
Nyora gosta. Murmura uma melodia, quase uma canção de ninar, mistura palavras em
português com outras que ela inventa, com sonoridade parecida. Incorpora a presença da mãe
que não conhece, imagina-se dentro dela, acolhida e segura. Sente a tristeza da mãe, sua
angústia de não saber se vai ver a filha crescer. Lágrimas molham o rosto aquecido. Chora pela
mãe, chora pela dor que ela deve ter sentido ao tomar a decisão de doá-la. Diz mais algumas
palavras em português, como se conversasse com a filha. Talvez elas tenham conversado assim,
e a mãe contou a difícil decisão. Talvez estivesse olhando um grande navio no porto. Quem sabe
pensasse partir com ela, buscar um mundo melhor para a filha em algum lugar depois do
oceano. Talvez uma onda mais atrevida tenha umedecido seus pés como as lágrimas quentes
fazem agora no rosto de Nyora. Chora pela bebê que se mexia na barriga sem saber que não
escutaria o som daquele mar na infância, que cresceria em outra parte do planeta, ouvindo a
voz de outra mãe falando em outro idioma.
Nesse momento sente que a mãe brasileira a amou. Sente que a quis muito, que sofreu
ao decidir doá-la. Sente que foi uma escolha difícil e feita por amor. Queria uma vida melhor
para a filha, queria um mundo melhor para que ela crescesse em segurança. Respira fundo,
enxuga as lágrimas e murmura palavras de perdão. A empatia pelos sentimentos da mãe a deixa

mais leve. Agradece a vida que teve até agora. O amor de sua mãe israelense Noah e de seu pai
Jacob. Agradece o carinho do irmão Samuel, de seu marido Ravi.
Abre os olhos, estende-se diante dela o azul do mar de Israel onde ao longe um iate
balança. Olha para a esquerda e seus filhos correm pela areia, o pai os persegue em uma
brincadeira feliz.
Ela sorri. Tem uma vida. Tem uma história. Fecha novamente os olhos. Envia uma
mensagem de carinho para a mãe distante. A mensagem vai ser levada pelas ondas, os reflexos
do mar a acompanharão e protegerão o sentido, o carinho que ela lhe envia chegará ao porto
do Brasil, passará a barreira dos grandes navios e a brisa suave entregará aos ouvidos da mãe.
Os olhos dela irão sorrir e ao admirar as ondas, saberá que do outro lado do oceano a filha está
bem e que quer encontrá-la.
Nyora apalpa a barriga. Não precisa perdoar a mãe. Agradece o amor que ela lhe deu
enquanto estiveram juntas. As mães têm poderes maiores do que o normal e a sua mãe
brasileira vai descobrir uma maneira de fazer a filha encontrar o começo da sua história.
Respira fundo. Onde a mãe estiver sente que se comunicaram e se entenderam. Olha
para seu corpo e parece que o olhar da onça, tatuado no lado esquerdo sorri e a compreende.

(Texto do livro “A moça do outro lado do mar”, baseado em uma história real, que está
sendo escrito por Izabel da Rosa)

Autora:
Izabel da Rosa

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''Paz em pétalas de Amor''

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Desperto
Em tua floreira –
   Borboleta
Com breves asas
   De pétalas
E gotinhas de tinta;
Polens de ti em mim
Ah, essa paz de sentir
  Tua brisa matinal,
Respirando em mim
A inspirar um poema –
             Amor
Em doces e sedutoras
   Gotas de orvalho…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Vinho com pétalas''

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Delicada flor lilás
Quase, sem vida
Equilibra – se à borda
Da taça de cristal,
Enquanto o encorpado
Aroma de vinho
A hipnotiza;
Uma de suas pétalas
Ainda, resiste, mas
Envolvida
Nesse, insólito diálogo
– Sussurros de sedução –
Inebriada a pétala
Seduzida solta – se
Da circular e cintilante
                          Borda
E desliza ao encontro
Do tinto vinho
Entrega – se e flutua
Nesse mar de desejos
Sem ondas
E, na placidez
Deste precioso líquido
A flor umedece suas tramas
Sorri e renasce linda!
     É especial quando
        Habita em mim, e tuas
       Gotas de orvalho – beijos
      Saciam a sede
   Dos meus lábios –
Somos Um…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Saudade Daquele Beijo...''

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Místico beijo
Carícias de tintas,
Em folhas de ouro e prata
Centelhas de sedução…
Sensual e delicado enlace
Lábios e rostos lembram
A fragilidade e beleza –
De uma rara Taça de cristal
Amor em Reflexos
Na tela de *Klimt…
          ***
Teu corpo envolve – me
E devolvo a ti
A maciez dos teus lábios
E, nesse alumbramento
Faz pulsar meu coração
E sinto o pulsar
Da tua vida em mim…
Teu corpo envolve – me
Com um eterno abraço
Amo tuas pausas –
Prelúdio de beijos;
Tuas sementes em meu corpo
A desabrochar flores –
Perfumando instantes
Em minh’alma…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Despedida''

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Curiosa –
A pauta despede – se
Do papel – de – carta
E do envelope timbrado
Enternecida faz uma espiral
Em tons lilás,
Alçando voo
E, em sua circular linha
Breve caminho
Adormece no jardim
À soleira da porta de vidro
Deixa – se envolver
Pelo cintilar da Lua –
Sonolenta Madrugada
Com aroma de lavanda
Pincelada…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Sede de Ti...''

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Amo esse desaguar
Das tuas reticências em mim
Quando tua voz pausa
Em meu ouvido
E teu olhar invade – me…
Ah! Essa sede de ti
De desejos, secretos
Do aconchego da tua pele
Que me incendeia –
Incendei – a – nos:
Sublimação de raras rimas,
Vírgula meia – Lua
Que as pontas
Dos teus dedos cingem
Em meus ombros e seios,
Suavizando
Com teu aroma de Amor
As dores…
 
Sede de ti flui
Em cada célula do meu corpo
– Nos mergulhamos –
Intensa & suave imersão!
Autora:
Vanice Zimerman

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''Fina Gramatura'

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…sobrevoo
Com o olhar
Tua sobreposição
                  de asas…
Imensurável beleza
Essa leveza
Das tuas asas – pontas
Em tons de gris
(Degradès) –
Ah, essa paz, essa entrega
Devaneio outonal
De ser flor, repleta de polens
Faço uma oração:
Peço – te Borboleta branca
Leva – me contigo
Estou leve, sem bagagens
Sem despedidas, mas
Levo aquele aroma de incenso –
E, a lembrança
Do último beijo –
Fina e doce gramatura
Teus lábios…

Autora:
Vanice Zimerman

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ESPAÇO CULTURAL - ​RECANTO DO POETA