''O ESVOEJAR COMO UMA PENA''

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Ela cresce, após os “pelos”
Espera sua vez chegar
Quando se desenvolve
Ninguém toma seu lugar.

Apresenta-se em várias cores
Branca, verde, amarela
Azul, marrom e à cores
As penas estão sempre unidas
Para proteger seus amores.

Tem pena que prefere a solidão
Fica num lugar isolado
Perceba que nem o pavão
Com uma pena, é apreciado.
Tem o pavão que com seu colorido
Atrai todos e é aplaudido
Quando mostra seu "leque" de penas
Sem precisar falar de alguém
Mostra seu pupilar como ninguém.
Os animais também respeitam
O espaço dos outros, também.
Como uma pena, vou flutuando
Trilhando um caminho com ajuda do vento…
que me ajuda voar e levitar
Para felicidade em cada momento
Essa que não pode ser passageira
Mas fincada no mais íntimo sentimento.
Transborda muita leveza
Como a pena daquele pavão.
E assim, vamos colorindo vidas
Sem desrespeitar a nenhum ser desse “mundão”
Assim é gostoso colorir… assim é delicioso viver…
Como uma pena que está a
esvoejar… voar… pairar… esvoaçar…
para um novo mundo desbravar…
Pena leve e suntuosa
Cheia de versos e fogosa
Procura seu aconchego
Bem juntinha de sua “Rosa”
A Rosa que a ensinou ser leve
Voar… flutuar… planar…
e quem sabe, como essa pena
meu dia há de chegar?
Há momentos das penas estarem unidas
Há instantes para refletir
Para sabermos se nosso lugar
é perto ou longe daqui
Pena mansa e amistosa
Colori o céu de ternura
Mesmo sem ter sua brancura
Ela está sempre maravilhosa.

Autor: Evandro Ferreira

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''O VIGÉSIMO SEGUNDO ANDAR''

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Subi escadas, degrau por degrau. Fortaleci a musculatura. Testei meus limites humanos…
Parecia uma escadaria sem fim. As portas fechadas. Janelas trancafiadas. O suor escorria
nas costas. Senti meu peito gelado pelo calor. Não ousei parar. Segui em frente, aliás, para
cima. Queria algo no terração do prédio. Então, não medi esforços. Os cabelos
encharcados e caídos no rosto. O coração aceleradíssimo. O que estaria lá em cima? O que
está por vir? Só acreditava e não olhava para trás. Um homem tão ‘parecido’, cheio de
bons propósitos, das melhores intenções. Alguém já deve estar pensando: é Aninha! Não,
não! Quero silenciar e não pensar em Aninha. Ainda estou no sexto andar. As panturrilhas
começam a dolorir. O corpo pede um degrau, apenas, para se sentar um pouco. Quer
descansar. Será que vale à pena? Sigo crendo que sim. Não seria melhor subir à serra ou
um monte?  Já estou no décimo andar. Não quero voltar, sem saber o que minha intuição
me leva a subir e o que me espera lá em cima. Os chocolates que levo no bolso, já
derreteram. A sede é grande. A boca está seca e os lábios ressecados. Hora da decisão.
Uma voz ecoou em todo corredor e nas escadas. Um tremendo duto sonoro. Ouvi assim:
 – Suba mais rápido, meu amor!
Aquela voz de veludo e singela me arrepiou os poros e continuei subindo mais rápido. Já
cheguei no décimo quinto andar. Outra voz, bem feminina e suave ecoou, novamente:
– Desça, porque você é meu. Não adianta subir, meu amor!
Fiquei encabulado e curioso. Tinham duas mulheres no terração do prédio? Quem seriam?
Aline e Clarice? Alana e Aninha? Aline e Aninha? Anastácia Trindade montada num
touro? Mas…como? Será que esse touro tem asas? Misericórdia! 
Esquálido fiquei. Inerte por alguns segundos. O elevador não funciona. O prédio está sem
luz. Tudo escuro. A lanterna do celular clareia, mas a bateria vai ficando fraca. E agora?
Estou com 29% de carga na bateria do celular. Para eu endoidar de vez, escutei um
'môoooooooooon'. Não tive dúvidas, era o touro de Anastácia, anunciando a presença dela
ali. E quem seria a outra mulher? Nenhum habitante do prédio aparecia. Nenhuma porta se
abria. Janelas fechadas com grades. Já estou no vigésimo andar. As pernas estão bambas.
Não aguentando mais subir um degrau sequer. Medo, sede, fome, suor, dor…
Alguém pulou para baixo, saindo de um porão. Era um jovem, chamado Eustáquio.
Assustei-me. Ele falou:
– Amigo, cuidado! Tem uma loura montada num touro valente e está atacando uma
morena de vestido, singela e dócil. Não as conheço, mas a morena foge do touro e a
mulher que doma o touro, manda ele a atacar. Quase que elas já caíram lá de cima. 
Pensei, será que é…? Será que…? 
Preciso subir. Ela está em apuros e ninguém a ajuda. Como enfrentar um touro valente?
Estou com pernas e corpo muito doídos. 
Comecei suplicar por Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Peguei o terço no bolso e cada
bolinha das contas, parecia uma vida para terminar de rezar. Subi, subi e quase
esmorecendo, pisei no degrau mais alto e depois no patamar do prédio. Ali, vi o touro
furioso com Anastácia Trindade montada nele e um berrante na boca, que quando soava
aquele barulho, o animal corria furioso atrás de Aninha. Seus chifres pontiagudos miravam
com ódio para a donzela. Ela corria pelas bordas e tomava cuidado para não cair lá de
cima. Eu peguei minha camisa, cor vermelha, retirei-a do corpo e a pendurei na ponta de

um vergalhão que estava, numa das laterais. Fiquei do outro lado para tentar dispersar o
animal. Ele olhava para os três, mas a camisa vermelha chamava mais atenção. Anastácia
Trindade gritava com o touro, pois percebia que ele perdera o foco na mulher e começou
mirar a tal camisa. Trouxe a donzela pelos braços para um atalho. Anastácia Trindade
berrava e tocava o berrante, mas o animal irracional, seguindo seu instinto, correu e foi
chifrar a camisa, mas a camisa não se mexia, ele enganchou o chifre no vergalhão,
cambalhotou e…
Todo jornalismo estava lá embaixo para cobrir esse episódio. Anastácia Trindade tentou
invejar e fazer maldade contra Aninha, mas acabou caindo do touro, lá do vigésimo
segundo andar. Aninha agradeceu abraçou ao homem. Um beijo foi dado e o amor iniciou
ali, depois de tanta luta e tanto cansaço, mas valeu à pena para os dois.

Autor: Evandro Ferreira

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''E O GALO CANTOU...''

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Numa noite, tão normal, aparentemente. Dormia em meu sobrado, numa rede, o sono dos 'anjos'. A lua
estava cheia. Clareava o céu. Era rodeada de estrelinhas e de uma nuvem com contornos de um adorno
feminino. A lua foi clareando esse adorno que se tornara mulher, após alguns minutos. Ela se lança do
alto e cai, sobre meu telhado colonial, sem fazer barulho algum. Meu sono é pesado. As portas estão
trancadas. Eis que sinto umas mãos macias sobre meu rosto e meu pescoço. As mãos escorrem e
perpassam o peito e as costas. O sonho parece ficar mais intenso, quando ela, sutilmente, arranca a
camiseta que eu vestia e despe-me com total sutileza e sensualidade.
O desenho de fora, na vida real, penetra o colorido de um sonho que parece normal. O fenômeno RAM é
ativado na mente. Sinto uma coxa macia sobre minhas coxas e os braços abraçados ao meu pescoço.
Então, me viro e reviro, mas o sonho se confunde com o sono, e este já se foi.
Ela está sobre meu corpo de lingerie preta. Abro os olhos. Já era! O galo cantava, a mulher gemia, o
corpo queria, a noite quieta, não amanhecia. Os pássaros faziam algazarras, a mulher intensamente me
amava, eu a correspondia e o galo cantava, esperando o dia.
A moça não cansava de sussurrar. Seu corpo estremecia, o galo cantava e ela gemia. Não queríamos
parar. Os poros se abriam, os pêlos se arrepiavam, o sono não vinha, suor escorria, o galo cantava, e ao
mesmo tempo, às asas batia. Quando ela deu um grito, fruto do quarto orgasmo, o galo delirou, outros
cantaram, o homem do sonho acordou.
Quem será a mulher do sonho?
 
Autor: Evandro Ferreira
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''A VOZ DA ALMA''

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Há um mistério que em nós se esconde,
Que procura a paz e a calma
Não sei de onde vem,
Mas parece uma voz da alma.

Em meio a  correria
Somos tragados por um mar agitado
No desespero procuramos por boias
Com a mente em pânico e o coração apertado,

O coração é como um mar tranquilo
Que um forte vento  pode  agitar,
Quando isso acontece
A voz da alma diz, mergulhe!
Lá no fundo, o silêncio e a paz
Estão a te chamar.

 
Autor: Fernando Martins
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