''Revelações inusitadas''

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As duas irmãs, uma de vinte e um para vinte e dois anos e outra de dezenove, decidem voltar a pé após cansativa aula de yoga. Caminhada de aproximadamente uns seis quilômetros. Fato que realmente foi aos poucos revelando a real necessidade.
Após início profundamente silencioso, os passos com certeza foram manifestando o peso das grandes inquietações de ambas as partes.
A irmã mais nova iniciou uma conversa relatando uma certa estranheza passada durante a aula.
Confessou à irmã mais velha que achou estranho quando a professora comentou ao solicitar que todos os alunos montassem o bhujangasana, conhecido como o asana da cobra. Que tal posição, quando montada por gestantes, se manifesta com um puxão na barriga e que não deveria ser executado na gravidez.
Ao dizer isso, a irmã mais velha que ouvia atentamente sentiu um frio na barriga.
Pensou alto, “mal sabe minha irmã mais nova, o quanto esse fato já fervilha em minha mente”.
O frio na barriga subiu e surgiu um aperto no peito, que saiu expressando mistura de medo e quase certeza.
– Nossa, irmã, não é que eu senti o puxão na minha barriga!
A irmã mais nova não acreditou no que estava ouvindo. Sua barriga neste momento deu um nó e seu peito disparou palavras afobadas.
– Meu Deus, não acredito, minha barriga também sentiu um puxão!
Tais revelações foram seguidas do relato da mais velha, que já estava com a menstruação atrasada trinta dias e a mais nova confessou que a dela já havia passado dos quarenta.
A caminhada foi imprimindo passos preocupados e cheios de receios.
A irmã mais velha já estava namorando faziam seis anos, a mais nova há três, esse namoro era entre eles e a turma que frequentava a ACM, local onde ambas haviam acabado de fazer a aula fatídica e reveladora.
O namorado da mais nova, quase nunca havia estado em sua casa e mal seu sogro e sogra o conheciam.
A mais velha já namorava há tempo, seus pais conheciam o genro, mas o sogro dela tinha um amor louco pelo filho e qualquer mulher representava um enorme perigo de roubar sua preciosidade.
Com todo esse cenário montado, as irmãs decidiram que iriam conversar com seus respectivos e no dia seguinte fazer o teste.
Não foi nada fácil voltar para casa, permanecer a noite com os irmãos, a mãe, o pai, a vó paterna, cachorro, além de manter segredo e esconder tanta aflição e medo.
O que os namorados sentiram ao saberem das supostas inquietações só aumentou o clima de temor e pânico.
O fato é, que os exames deram positivo e ambas estavam grávidas. Parênteses: nenhuma se quer tinha uma peça de enxoval, porque ainda não se cogitava a possibilidade de casamento desses dois casais.
Frente ao fato de terem que revelar a novidade aos seus pais,
a irmã mais nova e o namorado da mais velha sentiram vontade de fugir.
A mais velha tentou esconder o desespero e deixou claro que, se o namorado não quisesse, ela iria ter e criar a criança.
Como contar para a mãe e o para o pai que eles iriam ter dois netos? – dúvida que martelava nas mentes das irmãs
A irmã mais velha confessou que não conseguiria, logo seguida pela mais nova.
Decidiram então contar para uma das irmãs gêmeas, a outra não tinha como pois morava em São José dos Campos e tinha tido seu segundo filho recentemente.
A irmã escolhida para saber de tudo, assim como sua gêmea, era a mais velha dos irmãos e também estava grávida. Ela com certeza engoliu o susto, agitou seu filho, já com cinco meses na barriga e levou as duas em sua obstetra.
Coube a ela tambem a missão de contar para mãe.
As duas irmãs grávidas, ficaram em casa esperando e ela, então, levou a mãe em seu apartamento e arrumou uma boa desculpa para ambas também irem.
Ela e a mãe subiram os três andares de escada do prédio, o qual não tinha elevador, e chegaram esbaforidas ao apartamento. Convidou a mãe para ir no quarto do bebê que já estava montado. Estando lá começou a seguinte conversa.
– Mãe, preciso te contar algo, melhor a senhora se sentar.
– A Laine está grávida?
A “Laine”, sou eu, a quinta filha, a qual conta esse conto. Das duas irmãs na aula de yoga, a mais velha.
– Sim, ela está grávida, é melhor a senhora deitar, tem mais uma coisa que quero te contar.
– A Tere está grávida? – disse a mãe com semblante assustado.
Nesse momento, ela pula
a sexta filha , que para ela estava fora de cogitação, a filha de ouro e foi para a sétima, a mais rebelde na época.
A filha olha em silêncio para a mãe que diz.
– Ah, a Cele não!
– Não mãe, não é a Tere, é a Cele.
O que realmente ela sentiu neste momento, nunca soubemos.
O telefone tocou em nossa casa. Eu não tive coragem de atender. Foi a Cele quem atendeu.
Minha mãe acolheu minha irmã e o neto, depois a mim e ao meu filho, com muito amor nos recebeu. Não temos dimensão do susto que sofreu.
Nem precisa falar que não tivemos coragem de contar para o meu pai, minha mãe contou. Ele ficou um dia sem falar e nem olhar para nós duas. Mas no dia seguinte, pediu a receita das vitaminas que a médica havia receitado para nós duas, pois os netos tinham que nascer fortes e saudáveis. Com esse gesto, demonstrou do seu jeito seu acolhimento.
Hoje nossos filhos, Manolo e Matheus, já passaram dos trinta, são amigos, compadres e netos foram muito amados pelos avós.
Com certeza estão dando largas risadas dessa história.
Temerosas e preciosas revelações de dois grandes puxões .
Aviso importante: apesar de certeiro, o bhujangasana não é teste de gravidez e não deve ser executado por gestantes!

Autora: Elaine Perez

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''Sintoma de prateleira''

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Ansiedade demais 😓?
Produção de menos.
Sintoma!?
Não precisa explicar.
Está faltando o componente cerebral “Gozos Permanentes😂”.

Tristeza 😭?
Falta de vontade.
Nem me conte o motivo. Isso é contagioso.
Para você três vezes ao dia ” Felicidade  eterna 😰”

Perda 😡?
Compensação.
É bom nem pensar em quem ou no que perdeu.
Não precisa falar.
A pílula “Esquecimento rápido 😏”preencherá o vazio.
Ir três vezes na semana no Shopping também ajuda.

Frustação?
Baixo auto estima 😢 .
Pense na nova aquisição, esqueça o que aconteceu.
Tome a pílula “Você é o cara 😎”.

Feiura?
Obesidade?
Desatenção?
Rugas?
Manias?
Insônia?
Dívidas?
Duvidas?
Não se preocupe.
A prateleira vai de A até o Z.

Mas….
Não precisa falar.
No “P” tem pílulas para quem é prolixo 😶.

Não se esqueça. Tempo é dinheiro.
Ah me lembrei!
Tem também para falta de memória “Encapsulamento da vida $_$”.

Agora você se libertou.
Nem precisa de internação 👀 .

Autora: Elaine Perez

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''Na noite me encontro''

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Saí pela fresta em busca de ar.
Sabia que lá iria encontrar.
A noite escura a me espreitar.
Envolver meus anseios e adentrar.

Soltar minhas rédeas em pleno luar.
Sorver minhas dores e sussurrar.
O hálito fresco a exalar.
O silêncio noturno desse lugar.

A cada pisada, a noite a atentar.
Andanças com pontos de luz estelar.
Proseada pensante a desbravar.
Na mirada ao noutecer,
venho a me encontrar.

O tempo envolve o anoitecer.
Vida vivida a agradecer.
A noite chega para anunciar.
Que seu tempo tem algo a falar.

Manhã, meio dia, a tardezinha, ou entardecer.
Noite chegando ou anoitecer.
Madrugada adentro e o amanhecer.
São tempos de vida para se viver.
Ciclos de mundos a percorrer.

Na noite, me encontro a me procurar.
São múltiplas forças a me habitar.
Nuances de cores a misturar.
Diferentes telas a animar .

Lamparina, vela, tocha, fogo, fogueira a trepidar.
Cinzas que nutrem a se espalhar.
No solo da minha alma, que quer florear.
Soltar seu perfume, enluarar.

Autora: Elaine Perez

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''Está à venda?''

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O telespectador aguarda ansioso, o novo episódio da vida na contemporaneidade.
O espetáculo não para. Mudamos constantemente de posição.
Ora celebridade, afoitos em a-parecer , ora passivos telespectadores , ávidos consumidores de tendências. Com o mesmo desinteresse, em que trocamos o sapato tão sonhado, por outro que promete passos confiantes e ousados.
Enfatizamos para nós mesmos, que “a fila anda”.
O gozo toma lugar do desejo.

Amor então é pura babaquice. A relação é fluídica, liquida.
O “outro” alimenta nossa sede por excesso.
Movimentos narcísicos, satisfações imediatas.
Cabelo a lá….
Maquiagem como…
Unhas iguais a…
Peitos do tamanho …
Nariz parecido com..
Bumbum popozudo igualzinho …
Performance vendida aos olhos hipnotizados, dos consumidores da atualidade. Subjetividades que há muito tempo, perderam a capacidade de contemplarem, se solidarizarem, partilharem historias com passado, presente e perspectiva de futuro.
Por mais que a incessante distração, de fixarmos somente no presente, com promessas de felicidade, e ao alcance do cartão de crédito, ou nas prateleiras das “Drogarias”.
Insisto que, no entorno, no contorno, no centro, no periférico, no subterrâneo e nas alturas, escrevemos nossas histórias.
Neste momento, desacelero o tempo e me encanto com as lindas flores vermelhas, de um vaso recheado de sentido e bem querência.
Tempo de suspensão.
Tempo de amizade.
Tempo de carinho.
Tempo de gratidão.

Autora: Elaine Perez
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ICASAA INSTITUTO CASA CULTURAL DE APOIO AO ARTISTA

ESPAÇO CULTURAL - ​RECANTO DO POETA