''Raro Nanquim (Crônica)''

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A roupagem da essência das sensações e memórias é antiga – lembra cinzas – na
amanhecida e já esmaecida fogueira, numa distante paisagem, mas um Novo Drama
começa a ser tecido, com as brasas adormecidas… ao dobrar a esquina, ou a virar a
página de um livro, talvez, sejam as mãos de um surreal e irônico destino a entrelaçar as
tramas e embaralhar as letras, mesclando as palavras com as tintas, de um raro,
nanquim.
A manhã mesmo nublada gesta e pincela entre as nuvens em tons de gris, a sutil
esperança de um raio de sol, feito uma ponte a unir o olhar e pensamento em alquímica
sintonia de promessas de dias melhores. Um bem – vindo Renascimento, enquanto no
silêncio do pequeno atelier, os traços finos e largos, em sequência, bailam com técnica e
ousadia na folha de papel – arroz, e assim, surgem às ilustrações do Tsuru (grou); ave
sagrada do Japão, símbolo da saúde, da boa sorte, felicidade…
A imagem transmite paz e inspira futuros origamis. Empresto do poema de ontem, a
despedida da crônica de hoje; visto – me de outono ao segurar a folha da cerejeira recém
– caída da árvore…
Autora: Vanice Zimerman
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''Um Homem Feito de Livros (Crônica)''

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Encanta – me segurá-lo entre as mãos, sentindo a textura de sua capa… e detalhe do
título em alto relevo – sigo, respirando as cores e sem pressa começo a folhear suas
últimas páginas; e assim depois desse “namoro” volto às primeiras páginas. Sinto essa
emoção, cada vez que releio "Sagarana" de Guimarães Rosa.
Pergunto-me qual seria o LIVRO PERFEITO? Àquele com belas poesias e crônicas,
contos, com ou sem imagens? Penso que há uma sintonia, um ímã entre o livro e o
leitor. Tem uma tela que gosto muito: “O Bibliotecário” (1566), obra de Giuseppe
Arcimboldo, um pintor italiano. Todo o rosto e parte do corpo da pintura foram
inspirados em livros é um homem feito de livros, literalmente.
A cada dia encontramos páginas que seduzem e ocupam espaços no olhar, no coração e
inspiram outras leituras até com as pontas dos dedos…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Doce porcelana (Poesia)''

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Pausa em minha xícara
Teu aromático chá de romã –
E, assim, bem de mansinho
Convida – me a junto a ti ficar…
Esse bailar dos teus lábios
Aquece – me e faz – me sentir
A textura doce
(Incandescente) do teu beijo;
Ah, meu Amor!
A sublime felicidade
          (Alquimia)
Contida em memórias
De porcelana fez
Do friso dourado
Da branca xícara, uma fita
A envolver  e abraçar
O ramalhete de poesias
– Amor & desejos –
Num cálido laço…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Paz em pétalas de Amor''

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Desperto
Em tua floreira –
   Borboleta
Com breves asas
   De pétalas
E gotinhas de tinta;
Polens de ti em mim
Ah, essa paz de sentir
  Tua brisa matinal,
Respirando em mim
A inspirar um poema –
             Amor
Em doces e sedutoras
   Gotas de orvalho…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Vinho com pétalas''

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Delicada flor lilás
Quase, sem vida
Equilibra – se à borda
Da taça de cristal,
Enquanto o encorpado
Aroma de vinho
A hipnotiza;
Uma de suas pétalas
Ainda, resiste, mas
Envolvida
Nesse, insólito diálogo
– Sussurros de sedução –
Inebriada a pétala
Seduzida solta – se
Da circular e cintilante
                          Borda
E desliza ao encontro
Do tinto vinho
Entrega – se e flutua
Nesse mar de desejos
Sem ondas
E, na placidez
Deste precioso líquido
A flor umedece suas tramas
Sorri e renasce linda!
     É especial quando
        Habita em mim, e tuas
       Gotas de orvalho – beijos
      Saciam a sede
   Dos meus lábios –
Somos Um…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Saudade Daquele Beijo...''

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Místico beijo
Carícias de tintas,
Em folhas de ouro e prata
Centelhas de sedução…
Sensual e delicado enlace
Lábios e rostos lembram
A fragilidade e beleza –
De uma rara Taça de cristal
Amor em Reflexos
Na tela de *Klimt…
          ***
Teu corpo envolve – me
E devolvo a ti
A maciez dos teus lábios
E, nesse alumbramento
Faz pulsar meu coração
E sinto o pulsar
Da tua vida em mim…
Teu corpo envolve – me
Com um eterno abraço
Amo tuas pausas –
Prelúdio de beijos;
Tuas sementes em meu corpo
A desabrochar flores –
Perfumando instantes
Em minh’alma…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Despedida''

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Curiosa –
A pauta despede – se
Do papel – de – carta
E do envelope timbrado
Enternecida faz uma espiral
Em tons lilás,
Alçando voo
E, em sua circular linha
Breve caminho
Adormece no jardim
À soleira da porta de vidro
Deixa – se envolver
Pelo cintilar da Lua –
Sonolenta Madrugada
Com aroma de lavanda
Pincelada…
Autora:
Vanice Zimerman

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''Sede de Ti...''

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Amo esse desaguar
Das tuas reticências em mim
Quando tua voz pausa
Em meu ouvido
E teu olhar invade – me…
Ah! Essa sede de ti
De desejos, secretos
Do aconchego da tua pele
Que me incendeia –
Incendei – a – nos:
Sublimação de raras rimas,
Vírgula meia – Lua
Que as pontas
Dos teus dedos cingem
Em meus ombros e seios,
Suavizando
Com teu aroma de Amor
As dores…
 
Sede de ti flui
Em cada célula do meu corpo
– Nos mergulhamos –
Intensa & suave imersão!
Autora:
Vanice Zimerman

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''Fina Gramatura'

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…sobrevoo
Com o olhar
Tua sobreposição
                  de asas…
Imensurável beleza
Essa leveza
Das tuas asas – pontas
Em tons de gris
(Degradès) –
Ah, essa paz, essa entrega
Devaneio outonal
De ser flor, repleta de polens
Faço uma oração:
Peço – te Borboleta branca
Leva – me contigo
Estou leve, sem bagagens
Sem despedidas, mas
Levo aquele aroma de incenso –
E, a lembrança
Do último beijo –
Fina e doce gramatura
Teus lábios…

Autora:
Vanice Zimerman

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